Crítica | Só Por Uma Noite aposta em romance e caos, mas desperdiça boa premissa

Em ‘Só Por Uma Noite’, embarcamos em uma realidade alternativa na qual o governo dos EUA decretou que as relações sexuais só seriam permitidas aos solteiros durante uma única noite por ano. Nessa realidade quase distópica, assistimos a uma versão de ‘Uma Noite de Crime’ em que o expurgo é o sexo — e o caos generalizado pelas ruas também está garantido.

No meio desse mundo tomado pelo conservadorismo de seus líderes políticos, conhecemos a cantora Allie (Monica Barbaro), uma jovem que, ao lado de sua amiga Jacinta (King Princess), busca um amor improvável até mesmo na “noite menos romântica do ano” — palavras da própria protagonista. Diferentemente da amiga, que encontra seu príncipe encantado logo nos primeiros minutos da noite, Allie enfrenta uma sucessão de ‘dates’ fracassados. E, até mesmo quando desiste de buscar o amor e opta por uma relação casual, ainda é surpreendida por outra sequência de imprevistos dignos de boas conveniências de roteiro. Sim, boas conveniências, daquelas para as quais nós passamos pano para nos conectarmos com a história e vivermos o momento. Afinal, esse é o combinado implícito de qualquer boa comédia romântica.

Um romance que acontece rápido demais

Em cada um desses ‘dates’ fracassados, Allie sempre acaba esbarrando em Owen (Callum Turner), um rapaz romântico que havia se programado para curtir a noite ao lado da namorada, Malika (Maya Hawke), mas acaba sendo chutado por ela logo nos primeiros minutos da noite de liberdade sexual. Nesses encontros repletos de coincidências improváveis, a relação entre Allie e Owen vai sendo construída — ou, pelo menos, é o que o filme tenta fazer e nós tentamos, mais uma vez, acreditar.

Com um plot interessante, o roteiro de Travis Braun opta por contar essa história de forma frenética, em menos de 24 horas. A trama começa no fim da tarde, quando todos estão se preparando para a “grande noite do sexo”. As interações entre os protagonistas começam pouco depois e aí já surgem os problemas: é pouco tempo para fazer o espectador comprar uma relação amorosa. Somada essa fragilidade do texto ao desenvolvimento quase inexistente dos personagens e à pouca química entre o casal, o resultado é um filme esquecível.

Só Por Uma Noite vale a pena?

Depois de mais de uma hora de exibição e algumas — pouquíssimas — risadas, a única torcida é para que o casal finalmente consiga aquilo que tanto buscava: sexo e um romance para construir nos próximos anos. Mas é justamente aí que o filme dá sua derrapada final.

‘Só Por Uma Noite’ é uma comédia romântica que tranquilamente poderia ter sido lançada no meio da pilha de descarte que os streamings despejam semanalmente e que ninguém consegue acompanhar. Um filme que não é de todo ruim, mas que dificilmente seria recomendado em meio a tantas opções melhores.