
“Ele não é destemido. Ele é solitário.”
Lanternas teve sua estreia iniciando um novo capítulo nas produções do DCU ao explorar a mitologia dos Lanternas Verdes em uma série da HBO que traz mistérios intrigantes, um estudo sobre os EUA e tensões crescentes entre Hal Jordan e John Stewart.
Na trama, os Lanternas Verdes são heróis intergalácticos que usam anéis que lhes conferem poderes extraordinários. A série acompanha o experiente Lanterna, Hal Jordan (Kyle Chandler) e o seu futuro substituto John Stewart (Aaron Pierre) enquanto investigam um assassinato em Nebraska, que os leva a mistérios e acertos de contas ainda mais sombrios.

O episódio escrito pelos criadores Chris Mundy (Ozark, Slow Horses), Tom King (vencedor do Eisner por HQs como Alvo Humano e Senhor Milagre) e Damon Lindelof (Lost, The Leftovers) e com direção de James Hawes (Slow Horses, Doctor Who) nos apresenta os conceitos fantásticos e cósmicos da DC por uma abordagem humana e pessoal acompanhando a investigação de Hal e John em um evento que Hal tem convicção de ser obra de alienígenas.
Há inspirações em True Detective, mas a série opera muito mais dentro da linha de um “filme de dupla de policiais” aos moldes de um Máquina Mortífera, existe um humor bem natural que vem da relação entre Hal e John e muito menos de pausas burocráticas de comédia.

Essa é a história sobre dois homens de ideologias e gerações diferentes em um constante impasse de visões de mundo e que ambos estão destinados ao mesmo anel de Lanterna Verde, mas eventualmente suas percepções se alinham para a resolução do caso.
A direção de Hawes é extremamente sólida em desenvolver esse mundo entre o fantástico e o real enquanto observa o interior dos EUA, o colonialismo, o questionamento de figuras de autoridade e o sentimento reacionário contra alienígenas. É sobre fortes análogos de heróis com policiais e alienígenas com estrangeiros, mas a produção também é sobre esses dois homens distintos habitando entre o cósmico e a realidade.

No elenco se destaca a personalidade charmosa e rebelde de Hal Jordan com um Kyle Chandler magnético na tela enquanto Aaron Pierre traz uma atuação mais minuciosa em detalhes, com uma internalização de suas emoções se opondo a extravagância de Chandler.
Mas há ainda outros nomes de grande peso acompanhando a dupla como é o caso da brilhante Kelly Macdonald e de um intrigante Garret Dillahunt que compõem um panorama bem sólido e ao mesmo tempo envolvente de performances.

No que diz respeito aos quadrinhos, esse é um dos melhores exemplos do que poderia ser adaptação de gibis pois existe uma interpretação dosa criadores mas também há enorme fidelidade e um desenvolvimento orgânico dos elementos da mitologia dos Lanternas Verdes se assemelhando a The Batman ou as temporadas clássicas de Demolidor da Netflix.
Mas o que diferencia desses outros exemplos é como estão dispostos a caminhar mais além com o pé no fantástico sem se desvincular de sua abordagem sombria e madura, ao mesmo tempo vemos muito de uma estruturação de histórias em quadrinhos na sua narrativa criando um fruto perfeito de quadrinhos com séries de TV.

O gancho de conclusão do episódio abre perguntas e também estabelece ameaças, o mundo de ficção científica ao redor desse cenário do interior americano que deixa o público curioso para onde a história poderá seguir e quem são de fato, Hal Jordan e John Stewart.
Há muitas possibilides para o Universo DC com essa série e o DCU começa a tomar forma como um cenário rico para criar novas histórias de personagens clássicos de uma maneira que explore a riqueza da DC, mas também apresente visões de grandes artistas.
O primeiro episódio estreiou na HBO e já disponível na HBO Max, a série lançará episódios aos domingos.











